Opinião

Histórico da repressão na ditadura

Durante o período da ditadura militar no Brasil, ao menos 17 centros clandestinos de tortura, os chamados centros clandestinos de tortura, foram identificados, conhecidos popularmente como casas da morte. Esses locais se tornaram instrumentos de uma repressão brutal, onde as Forças Armadas e a polícia atuavam fora do alcance da legislação, agindo como milícias. A mercê de uma estratégia de combate aos opositores, esses centros funcionavam de maneira sigilosa, diferente das prisões convencionais, dando início a um ciclo de violação de direitos humanos que ainda ecoa na memória nacional.

Os centros clandestinos de tortura eram usados principalmente para interrogar e eliminar membros de grupos opositores. No estado de São Paulo, destacam-se dois: um localizado no Ipiranga e outro em Parelheiros. O centro no Ipiranga tinha uma função específica de tentar persuadir prisioneiros a se tornarem informantes ou até mesmo agentes infiltrados da ditadura.

O papel do sítio 31 de Março em Parelheiros

O sítio 31 de Março, situado em Parelheiros, na região da represa de Guarapiranga, foi um dos mais destacados centros clandestinos de tortura da ditadura. Este local foi cedido aos militares pelo grileiro e empresário Joaquim Fagundes, que proporcionou uma estrutura isolada, perfeita para as práticas de repressão que ali se estabeleciam. A operação era comandada pelo DOI-Codi, que realizava torturas e execuções em um ambiente de total impunidade.

centro clandestino de tortura



A casa térrea no sítio 31 de Março era cercada por densa vegetação, o que dificultava a detecção de suas atividades ilegais. O local não apenas servia como centro de tortura, mas também como ponto de encontro para alguns membros das Forças Armadas e da polícia, que promoviam festas e confraternizações, ignorando a gravidade das atrocidades cometidas naquele espaço. Joaquim Fagundes, por sua colaboração com o regime, recebeu condecorações do Exército, evidenciando a estreita relação entre empresários e a máquina repressiva da ditadura.

Os crimes perpetrados no sítio incluíam execuções sumárias, com os corpos muitas vezes sendo descartados em valas comuns, como a vala de Perus, um símbolo da brutalidade do regime. Entre os militantes assassinados no local, mencionam-se Antônio Carlos Bicalho Lana e Sônia Maria de Moraes Angel Jones, que foram reconhecidos entre os encontrados na vala. As atividades do sítio 31 de Março ocorreram entre 1970 e 1975, período marcado por um discurso de abertura política que, na prática, mascarava a continuidade da repressão violenta.

Centros clandestinos e o discurso da abertura política

Os centros clandestinos de tortura, como o sítio 31 de Março, operavam em conjunto com a estratégia de abertura e distensão política anunciada pelo governo Ernesto Geisel, que, por um lado, buscava aparar arestas com a sociedade, mas, por outro, mantinha uma estrutura de repressão brutais contra os que se opunham ao regime.

Com os centros de tortura situados em diversas localidades, como Petrópolis, Itapevi e Recife, todos compartilhavam a mesma característica: a colaboração de empresários que disponibilizavam suas propriedades para abrigar as atrocidades do regime militar. A crueldade ensaiada nesses espaços escusos destaca a face mais sombria da ditadura, onde a tortura se tornava uma prática comum para manter o controle sobre a população e silenciar vozes contrárias.



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